Numa ação pioneira no Estado, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), promove de 16 a 19 de março, em Belo Horizonte, na Serraria Souza Pinto, a 1ª Feira de Agricultura Familiar de Minas Gerais (AgriMinas) – um evento que promete movimentar a capital mineira na divulgação e comercialização de produtos agroartesanais. “A sociedade precisa conhecer a forte representatividade da agricultura familiar na geração de alimentos, emprego e renda no país, além do potencial dos assentamentos da reforma agrária, que com a organização, hoje são também capazes de gerar alimentos, emprego e renda no campo. A realização da AgriMinas é uma importante estratégia para que o agricultor familiar ocupe mais espaço no mercado”, destaca o presidente da Fetaemg, Vilson Luiz.

Para promover a feira, a Fetaemg conta com o apoio do Governo de Minas, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). De acordo com o secretário Silas Brasileiro, mais da metade das pessoas ocupadas no meio rural trabalham com a agricultura familiar. “Hoje a agricultura familiar de Minas é bastante diversificada, envolvendo não só a produção de alimentos, mas também atividades como o turismo rural e o artesanato”, informa.

A Feira

Durante os quatro dias, toda a diversidade da produção agroartesanal de Minas, como cachaça, queijo, doces, derivados da mandioca, rapadura, entre outros produtos, além do artesanato e turismo rural estarão na AgriMinas. As atrações que compõem a Feira são diversas: unidades demonstrativas de processamento de produtos agropecuários, oficinas e minicursos, plantão técnico para atendimento aos agricultores e ao público em geral, stands de equipamentos de pequeno porte adequados à realidade dos agricultores familiares, entre outras. Além de divulgar e comercializar seus produtos, os agricultores terão a oportunidade de trocar experiências sobre comercialização, mercado e tecnologias, e ainda participarem de eventos técnicos como palestras, mesas redondas e rodadas de negócios.

A Feira ainda vai se transformar num espaço cultural e de entretenimento para o público visitante que, além de poder fazer negócios, terá a oportunidade de conhecer as “coisas do interior de Minas”, como por exemplo, apresentações regionais de cantores. Num só espaço será oferecida uma diversidade de atrações, que vão desde negócios ao entretenimento.

O público alvo da Feira são os agricultores familiares, técnicos, pesquisadores, estudantes, consumidores, varejistas, supermercadistas e empresários do segmento agroindustrial. A expectativa dos organizadores é de um público visitante de cerca de 20 mil pessoas, durante os quatro dias da Feira.

Representatividade

A agricultura familiar, atualmente, é reconhecida pela sua importante contribuição na economia do País na geração de alimentos, emprego e renda, garantindo assim, a permanência do homem no campo. Em Minas Gerais, o potencial desse segmento pode ser medido pela expressiva quantidade de estabelecimentos rurais existentes: 77% estão ocupados por agricultores familiares, o que representa 383 mil propriedades rurais, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Dados da Emater-MG, estimam que a agricultura familiar, em Minas Gerais, seja responsável pela produção de 67% do feijão, 49% do milho, 52% do leite e 84% da mandioca, sendo responsável pela geração de 2/3 dos postos de trabalho no meio rural. Apesar de sua forte representatividade, detendo mais de 24% da receita da agropecuária, a agricultura familiar recebe apenas 12,5% do volume de créditos do governo federal destinado setor rural.

Incentivos

Além da AgriMinas, que pretende se tornar uma vitrine para os produtos da agricultura familiar estadual, outras ações estão sendo desenvolvidas para incentivar o trabalho dos produtores. Um exemplo é o Minas Leite. O programa, lançado recentemente pelo Governo do Minas com o apoio de várias instituições, vai capacitar os pecuaristas com produção média de 200 litros de leite por dia, para que se tornem mais competitivos. Outra ação é o programa de certificação de qualidade de café. O objetivo é atender principalmente aos pequenos agricultores para que tenham oportunidade de conquistar o mercado internacional. O Estado, através da Emater-MG, também presta assistência técnica aos agricultores de Minas. Só no ano passado, a empresa atendeu a 350 mil agricultores familiares.