Seminário debate agropecuária em ambientes com restrições hídricas

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Seminário debate agropecuária em ambientes com restrições hídricas

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Mais de 300 participantes acompanharam o evento na Semana da Integração Tecnológica, em Sete Lagoas
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BELO HORIZONTE (23/5/2019) - A escassez de água é um problema antigo enfrentado por muitos produtores, principalmente do semiárido mineiro. Com o objetivo de orientar e ajudar os agricultores a mudar essa realidade, foi realizado, nessa quarta-feira (22/5), o seminário Estratégias de Convivência na Agricultura em Ambientes com Restrições Hídricas. O encontro fez parte da programação da 12ª Semana da Integração Tecnológica (SIT), que acontece em Sete Lagoas, região Central, até sexta-feira (24/5).

O produtor Clóvis Chaves trabalha com pecuária leiteira e vive a realidade da escassez hídrica. Sua propriedade fica no município de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, região seca do estado. “Com isso, tenho de investir mais em ração e mão de obra para alimentar o gado. Isso aumenta os gastos, enquanto a produção de leite diminui”, conta o produtor.

Como outros produtores, Clóvis foi ao seminário em busca de conhecimento. “ O que foi apresentado aqui é importante e viável para nos ajudar a conviver com a seca e minimizar seus efeitos”, afirma.

De acordo com o engenheiro agrônomo e analista da Embrapa, Marco Aurélio Noce, com as mudanças climáticas, o semiárido mineiro sofre com as restrições hídricas cada vez mais acentuadas. “Na maior parte dos anos, temos sofrido muito com reduções significativas de precipitações nos períodos que, normalmente, são mais chuvosos”, diz.

O seminário teve mais de 300 participantes, com muitos deles vindos de caravanas do Norte e Nordeste do estado. Na ocasião, eles puderam saber mais sobre diversas tecnologias que auxiliam na convivência com a seca. Entre elas está, por exemplo, a utilização de sorgo e palma forrageira na alimentação complementar do gado. “Existem várias espécies que podem ser utilizadas como forrageiras que têm mais tolerância às restrições hídricas. O sorgo e a palma forrageira podem ser melhor utilizadas nesses ambientes do que outras, como o milho, por exemplo”, ressalta Noce.

Outra tecnologia apresentada foi o sistema Integração Lavoura e Pecuária (ILP), que atua na recuperação das pastagens. De acordo com Marco Noce, no Brasil não existe uma tradição de manejo e adubação de pastagem. Com o tempo, as pastagens perdem nutrientes e o déficit hídrico agrava ainda mais a sua degradação. “A Integração Lavoura e Pecuária é uma forma de renovar a pastagem e fazer com que ela volte a produzir por meio do uso de uma forrageira em consórcio com a própria pastagem. Com isso, ela adquiri uma condição melhor de tolerância às restrições hídricas”, observa.

Os produtores também foram orientados sobre a conservação da água e do solo. Entre as ações sugeridas estão a proteção de nascentes e a construção de bacias de captação de águas de chuvas. As bacias de captação promovem a infiltração de água no solo, contribuindo para a manutenção da vazão nos córregos e rios, além de garantir o abastecimento humano, a oferta de água para os animais e a manutenção de pequenas culturas durante quase todo o ano.

De acordo com o coordenador técnico estadual de Irrigação da Emater-MG, João Guimarães, o evento foi uma oportunidade de aproximação da pesquisa com a prática. “As ações demonstradas no seminário funcionam muito bem. Isso é importante porque o produtor precisa produzir, mas também preservar. É preciso conciliar isso”, reforça.

SIT

A Semana de Integração Tecnológica é composta por diversas atividades simultâneas, como seminários, cursos, dias de campo e palestras, com o objetivo de promover o diálogo e a troca de experiências entre agricultores, consultores, técnicos e extensionistas, pesquisadores, estudantes, professores e representantes de empresas privadas. Neste ano, a SIT tem como tema central a “Bioeconomia na Agropecuária: do conhecimento à inovação”.

“A Semana de Integração Tecnológica tem um papel fundamental, pois leva aos produtores novas tecnologias para que eles possam usar em suas propriedades e serem bem-sucedidos em suas atividades”, destaca Fredson Ferreira, pesquisador da Embrapa e coordenador do evento.

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