BELO HORIZONTE (12/12/2018) - A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com o Poder Judiciário de Minas Gerais – Comarca de Sete Lagoas e a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Sete Lagoas, inicia neste mês as atividades do Centro de Referência em Ressocialização, Extensão e Pesquisa e Aquicultura Intensiva e Integrada (Crepai).

O Crepai consiste na implantação de módulo produtivo baseado no sistema de recirculação de água, no qual há o tratamento e reutilização da água de forma contínua. No Centro, foram instalados sete tanques suspensos de cultivo, sendo dois para recria e cinco para engorda de tilápias-do-Nilo; uma estação de tratamento de efluente (ETAqua) e uma estação de separação de iodo. Os materiais sólidos e parte dos efluentes resultantes do tratamento da água destinam-se para o uso na compostagem (adubo sólido para plantas) e em fertirrigação de culturas agrícolas de valor comercial que atenderão a demanda dos próprios recuperandos, como é o caso das hortaliças, plantas medicinais e ervas aromáticas. A dinâmica de operação otimizada possibilitará o reaproveitamento da água de cultivo e seu retorno aos tanques com peixes. O local terá capacidade de produção média de 200 kg de tilápia por mês em sua primeira fase.

De acordo com o pesquisador da Epamig e coordenador do projeto, Giovanni Resende de Oliveira, o modelo implantado na APAC trata-se de uma produção mais limpa e autossustentável, comparando-se a outras estratégias produtivas atualmente em uso.“A intenção é que tal tecnologia possa ser disseminada para outras APACs no estado e País, em razão de constituir uma nova oportunidade de oficina de trabalho e terapia laboral para esse perfil de público. E, para tal, precisaremos de novos parceiros para obtenção de materiais e equipamentos” afirma Giovanni.

O Centro de Referência em Ressocialização, Extensão e Pesquisa e Aquicultura Intensiva e Integrada, conta com uma área total de 250m². Segundo o interventor da APAC Sete Lagoas, Ari de Jesus Soares Pereira, atualmente existem dois recuperandos que efetivamente atuam no CREPAI. “Eles têm demonstrado grande empenho junto ao projeto, onde buscam desenvolvimento satisfatório e resultados positivos”, afirma.

Capacitação técnica

A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) é uma entidade civil privada, que tem a intenção de auxiliar na recuperação e reintegração social de condenados a penas de reclusão social, sendo regimes fechados, abertos ou semi-abertos. Diferentemente do sistema prisional comum, na APAC são oferecidos trabalho, religião (sem imposição decredo), assistência jurídica, valorização humana, participação da família, reintegração social, valorização do mérito, voluntariado e assistência à saúde.

A parceria entre a Epamig e APAC começou em 2015, com a intenção de oferecer ao recuperando uma terapia ocupacional, além de auxiliar no fornecimento de peixes para os internos no refeitório. A proposta, além de melhorara alimentação, pretende capacitar profissionalmente os recuperandos para encaminhá-los ao mercado de trabalho. “A ideia é tornar o Crepai um espaço para capacitação tanto dos recuperandos, quanto para produtores, técnicos e interessados em conhecer, e possivelmente implantar,o sistema de criação de peixes”, explica Giovanni.

Ari Pereira também ressalta a importância do projeto para rotina dos recuperandos e sua capacitação profissional. “Vejo um grande potencial de crescimento do projeto, tanto na unidade e também para multiplicação em outras unidades de APACs, como unidade produtiva e oficinas profissionalizantes a partir da experiência pioneira da parceria entre a Epamig e APAC de Sete Lagoas. Atualmente o projeto CREPAI visa atender as necessidades deste Centro de Reintegração Social. No entanto, existe a possibilidade de crescimento e ampliação poderá atender os familiares dos recuperandos”, finaliza.