A força feminina para empreender e liderar está cada vez mais evidente no mercado de trabalho, e este movimento vem ganhando projeção também na política. Entre os empresários que iniciam negócios no Brasil, 51,5% são mulheres, aponta o Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Para aumentar a troca de informação e conhecimento sobre esta nova configuração de cenário, a Federação das Mulheres Empresárias e Empreendedoras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (FME CE-CPLP) realizou, nesta segunda-feira (3/6), em São Paulo, o fórum internacional “10 Mulheres que Você Precisa Ouvir”.

A secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini, é a primeira mulher na história do governo de Minas Gerais a responder pela pasta, e falou sobre sua trajetória e a experiência que está vivendo para um público de mais de mais de 100 pessoas, de cinco nacionalidades.

Mineira de Capitólio e filha de produtores rurais, Ana viu como um dos motivos para cursar engenharia florestal a oportunidade de permanecer conectada ao setor rural. Com especializações em Administração Rural e em Gestão Ambiental de Projetos Agrícolas, a secretária iniciou sua jornada profissional na WWF Brasil, ONG internacional com atuação em áreas de conservação, investigação e recuperação ambiental.

Nos anos 80, Ana Valentini e o marido integraram o Programa de Desenvolvimento do Cerrado (Prodecer), com a missão de ampliar as áreas destinadas ao cultivo de soja no Brasil, momento em que o casal conseguiu realizar o sonho de comprar uma propriedade rural.

Por sua atuação destacada, ela se tornou presidente da Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas Gerais (Irriganor). A organização que, inicialmente, contava com o apoio de nove famílias, em seis meses já contabilizava 300 associados em 14 municípios. Com a visibilidade regional e nacional que atraiu, Ana foi selecionada entre 17 currículos para comandar a Secretaria de Agricultura.

“Somos um estado muito forte na agricultura, os maiores produtores em várias culturas, e uma das minhas metas é trabalhar o fortalecimento da agricultura familiar. É preciso que o produtor se conscientize de que ele é um empresário rural, independentemente do tamanho do seu negócio, e que, portanto, precisa investir em gestão para aumentar a eficiência e rentabilidade da sua empresa”, pontuou.

A vice-presidente Brasil da FME CE-CPLP e diretora executiva dos canais por assinatura do Grupo Bandeirantes, Monica Monteiro, explicou que trazer a participação de líderes do agronegócio para o evento é extremamente importante para promover a troca entre os países de língua portuguesa.

“Realizamos rodadas de negócios para estimular os pequenos agricultores que querem vender para o continente africano e também para os africanos que querem investir no Brasil. A agricultura é uma das nossas pautas, até porque todos os países que compõem a África são agrícolas, assim como grande parte do território brasileiro”, observou.

Além da rodada de compartilhamento de experiências, a programação do fórum contou com painéis que discutiram oportunidades e obstáculos para mulheres empreendedoras, e o papel da mulher como promotora de negócios para o desenvolvimento social e econômico.

As apresentações foram mediadas pela jornalista Astrid Fontenelle. Participaram nomes de peso, como, por exemplo, Sarah Masasi, CEO e fundadora de várias empresas na Tanzânia, nos segmentos de energia, mineração e agro-processamento; Viveka Kaitila, presidente e CEO da GE Brasil; Daniela Mignani, diretora do Canal GNT; Nina Silva, sócia-fundadora do Movimento Black Money, eleita pela revista Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil; e a sul-africana Mcdonald, diretora internacional do banco de investimento Standard Bank Group.

O Fórum

O Fórum Internacional “10 Mulheres que você Precisa Ouvir” foi criado para gerar oportunidades para as mulheres e valorizar suas capacidades. Estiveram presentes CEOs, empresárias, membros de governos e sociedade civil dos países participantes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

O evento aborda a participação feminina na indústria criativa, com foco em moda, gemas e jóias, design, tendências do mercado financeiro e do agronegócio. Seu objetivo é promover amplo debate entre empresários, mulheres empreendedoras e lideranças internacionais sobre o desenvolvimento de competências e aumento de performance em diferentes setores industriais dos países em desenvolvimento.

“Um fórum como este é uma oportunidade única para compartilhar experiências e ver que muitas mulheres estão lutando e vencendo adversidades ao redor do mundo. Conheci mulheres incríveis, foi um dia muito produtivo. Com certeza, essa troca nos fortalece, nos traz mais coragem e, também, a esperança de que a liderança feminina, em diferentes setores, contribuirá para que tenhamos um mundo mais justo”, resumiu Ana Valentini.

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