BELO HORIZONTE (12/07/2019) - O Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) caminha para a retirada da vacinação contra a febre aftosa em todos os estados brasileiros. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) promove em Viçosa (MG), na próxima terça-feira (16/7), durante a 90ª Semana do Fazendeiro, o Fórum Estadual Estratégias para Retirada da Vacinação contra Febre Aftosa. O evento será realizado na Biblioteca Central da Universidade Federal de Viçosa, a partir das 8 horas. O objetivo será discutir as ações a serem implantadas visando a mudança do status sanitário de Minas Gerais, de área livre de febre aftosa com vacinação, para área livre da doença sem vacinação. Estarão presentes representantes de diversas instituições envolvidas na cadeia produtiva do agronegócio, além de médicos veterinários, pecuaristas, agroindústrias, comércio e prestadores de serviço.

Minas Gerais integra o bloco 4 do PNEFA junto com os estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal. O IMA segue empenhado na implantação das últimas medidas que serão aplicadas para a retirada da vacinação, prevista para 2021. De acordo com o diretor-geral do IMA, Thales Fernandes, a execução do plano de ação para a retirada da vacinação contra a febre aftosa em Minas Gerais é uma das principais prioridades de sua gestão. “São vários os benefícios desta mudança de status sanitário em Minas Gerais. Quando nosso estado alcançar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, em 2021, quem mais ganhará com este cenário será o produtor rural mineiro, que não vai mais precisar vacinar, duas vezes por ano, cerca de 23 milhões de bovinos e bubalinos. Ou seja, o produtor não terá mais gastos com a vacinação. Ganhará também o agronegócio mineiro, principalmente a pecuária, abrindo novos mercados como a China e os Estados Unidos. Toda a cadeia produtiva será beneficiada com a retirada da vacinação contra a febre aftosa, não apenas o mercado de carne bovina, como também os de suínos e de aves”, argumenta.

O único estado da federação que detém o status de área livre de febre aftosa sem vacinação é Santa Catarina. Segundo Thales Fernandes, para se ter uma ideia, aquele estado chega a exportar carne bovina com valor 30% mais alto. “Maior confiança internacional na defesa agropecuária de nosso estado significa novos parceiros, novos mercados, movimentando toda a cadeia produtiva, com mais valor agregado aos produtos mineiros e, consequentemente, mais renda ao produtor, ampliando o potencial do agronegócio em nosso estado”, analisa.

Para alcançar estas vantagens para Minas, o diretor-geral do IMA lembra a importância da participação de todos rumo ao novo status sanitário no estado. “A gestão compartilhada e a responsabilidade de todos os envolvidos é fundamental. Estamos alinhados com os sindicatos rurais, com as associações de criadores e com a Faemg. Além disso, estamos aperfeiçoando a capacidade do serviço de defesa agropecuária oficial, investindo no aparelhamento e infraestrutura”, informa Thales Fernandes.

Mercado - Minas Gerais possui o segundo maior rebanho nacional de bovinos, com cerca de 22 milhões de animais. Em 2018, o estado ocupou o quarto lugar no ranking nacional das exportações de carne bovina com US$ 604 milhões, ou 9,2% do total nacional. A China é o principal comprador do produto mineiro, com 59% do total das vendas externas. Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, com receita de US$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. De janeiro a março de 2019, as exportações de carne bovina em Minas Gerais geraram uma receita de US$139 milhões, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado.