BELO HORIZONTE (14/11/2019) - Equilibrar a necessidade de preservação ambiental com a demanda de atividades econômicas. Com este objetivo, o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), apresentou nesta terça-feira, 12 de novembro, os resultados do Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP) da Serra Piedade. O estudo foi realizado em parceria com a Emater-MG e a Arquidioce de Belo Horizonte, a partir da celebração de um acordo, em março deste ano.

O ZAP foi produzido a partir de imagens de satélites, análise das bases cartográficas do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) e trabalhos de campo. Os detalhes do trabalho foram apresentados à direção do Santuário Nossa Senhora da Piedade, representantes da Copasa, da prefeitura de Caeté e moradores da região.

O estudo mapeou 1.046 nascentes dentro do Monumento Natural Estadual Serra da Piedade a partir de uma correção hidrográfica do espaço. As nascentes estão nas sub-bacias dos Rios Taquaraçu, Poderoso Vermelho e dos Ribeirões Caeté-Sabará. Todos os manancias estão no perímetro da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas.

O ZAP apontou, ainda, que há 2.100 trechos de hidrografia ottocodificadas junto ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Destes, 52 trechos estão com demanda de uso de água maior que a vazão outorgável. Outros quatro trechos estão em estado de atenção por apresentarem demanda de vazão 50% maior que o desejável.

O diagnóstico ainda mostrou que 54% do território na Serra da Piedade é composto por vegetação densa e que há 6.330 Áreas de Preservação Permanente hídricas. Representando o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, o secretário executivo da Semad, Hidelbrando Neto, valorizou a produção do ZAP. O documento, segundo ele, será um norte para ações de preservação na Serra da Piedade. “Um estudo importantíssimo. Com base nessas informações prévias o Governo consegue dimensionar melhor, as políticas e ações preventivas de fiscalização na região”, disse.

Assessor especial da Seapa, Luciano Baião Vieira representou a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Maria Soares Valentini. Ele exaltou a importância do ZAP para a conservação de bacias hidrográficas e áreas de reserva natural em Minas. “O ZAP é uma metodologia desenvolvida pelo Governo do Estado utilizando dados secundários gratuitos que nos fornecem informações sobre ocupação de solo, disponibilidade hídrica e unidades de paisagem para dar uma ideia precisa sobre a situação das bacias hidrográficas. No caso da Serra da Piedade foi nos solicitado pelo Santuário e pela Agência de Desenvolvimento Integrado (Aderi) a necessidade de preservação ambiental”, explicou.

Coordenador da Aderi, órgão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), Miguel Andrade elogiou os resultados obtidos e a maneira como foi conduzida a elaboração do ZAP. Ele defendeu que mais trabalhos sejam realizados para preservar a Serra com base no ZAP. “São 252 anos como referência histórica, cultural, ambiental, espiritual. É um desafio de criar um modelo de desenvolvimento que respeite essas atribuições, os serviços ambientais e culturais que o Santuário oferece. O ZAP abre essa proposta para que a gente construa esses planos de adequação visando sempre a preservação e melhoria territorial”, explicou.

A análise completa do ZAP estará disponível em até 30 dias no site da Semad. O projeto foi apresentado e aprovado pelo Governador de Minas, Romeu Zema.

Simon Nascimento - Ascom/Sisema
Foto: Simon Nascimento - Ascom/Sisema

 

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